Design Sprint na prática: reta final

Esse post é o segundo de uma sequência de posts que relata o dia a dia de um processo de design, aplicado dentro de uma empresa com o objetivo de validar uma ideia de projeto de inovação. Veja mais sobre as nossas escolhas, adaptações desafios e aprendizados no primeiro dia de um design sprint e no segundo dia de um design sprint.

Dia 3: turno da manhã

No final do segundo dia, o grupo montou um protótipo integrado a partir da evolução dos protótipos individuais, composto por 8 telas projetadas em papel. A partir dessa concepção do grupo, a UX designer começou elaboração do protótipo navegável da proposta, para que fosse possível discutir sobre ela no início do terceiro dia.

Na manhã do terceiro dia, os participantes testaram o protótipo navegável e refinaram juntamente com a UX designer, visando a eliminação de falhas que se mostraram mais óbvias (e que não haviam sido percebidas no protótipo em papel). Com isso, várias questões que ainda não haviam sido discutidas foram surgindo, como a necessidade de mudanças na linguagem utilizada, mudança na sequência de telas, e até mesmo pontos mais complexos, como os serviços ofertados. 

Esse último ponto foi bem interessante, pois apesar de os serviços ofertados já terem sido definidos previamente, algumas questões sobre esse assunto só ficaram mais claras a partir do momento em que foram materializadas no protótipo navegável, o que demonstra a importância de trabalhar em diferentes níveis de fidelidade na prototipação. Essa discussão não estava prevista para o terceiro dia, porém precisava ser feita, já que um dos pontos a ser avaliado na fase de teste era justamente a aceitação dos clientes com relação à proposta de valor da solução.

Dia 3: turno da tarde

No turno da tarde outras questões que também já haviam sido discutidas previamente, como limitações em virtude de aspectos legais, voltaram em alguns momentos para fins de validação do que estava sendo feito. Durante o processo de prototipação, o grupo foi construindo coletivamente o que deveria ser observado e questionado no teste com os usuários. 

Ao fim do terceiro dia, também foi estabelecida a estratégia da pesquisa para a validação. Essa decisão contemplou quem participaria dos testes, quem utilizaria presencialmente para observação da facilidade de navegação, quem utilizaria através de link externo, como se daria a coleta de feedbacks e quantas pessoas seriam necessárias para responder os desafios. O grupo optou por fazer um questionário online com perguntas abertas, permitindo uma maior facilidade no processo de coleta e análise. O questionário foi elaborado e definido em conjunto com todos os integrantes da equipe, que determinou primeiramente a realização de um teste local com o público interno para avaliar o comportamento de navegação de diferentes pessoas não contextualizadas com o projeto e posteriormente o envio do link de teste para os usuários. Foi definida uma meta de no mínimo 5 e no máximo 10 pessoas representando usuários reais para essa validação inicial.

Aprendizados DO TERCEIRO DIA DE DESIGN SPRINT

O papel do facilitador foi essencial na mediação das discussões, pois este deveria ter a percepção do que era realmente relevante ser discutido, e o que deveria ser deixado para outro momento. Portanto, é importante que o facilitador esteja atento ao que está acontecendo em todas as etapas e tópicos, conduzindo o grupo até o alcance dos objetivos.

DIA 4: TURNO DA MANHÃ

O quarto dia começou com o último teste do protótipo pela equipe, acessado pelo celular pessoal de cada integrante, para verificar se estava tudo ok antes do envio aos usuários. Após essa pequena retomada, também foram realizados testes e observação com o público interno do escritório, conforme estratégia de pesquisa acordada no dia anterior, a fim de observar fatores como usabilidade e compreensão dos conteúdos. O feedback com o público interno foi muito bom, o que encorajou a equipe em uma possível validação com os usuários externos.

Embora estivessem todos entusiasmados e confiantes, foi salientado pela facilitadora diversas vezes sobre a possível chance de não validação do protótipo, e que se isso acontecesse, estaria tudo bem pois se obteve uma resposta importante com o mínimo possível de investimento de tempo, recursos e esforços. 

O teste foi enviado para os usuários, juntamente com o questionário sobre os pontos que a equipe gostaria que fossem respondidos. Todas as questões foram elaboradas visando responder às perguntas da sprint definidas no primeiro dia do processo. A partir da hora do envio, foram disponibilizadas três horas para que os usuários respondessem a pesquisa, com a intenção de iniciar a análise no retorno do almoço.

DIA 4: TURNO DA TARDE

A volta do almoço foi o momento de maior ansiedade e expectativa de todo o processo! A análise dos resultados foi feita em conjunto pelo grupo em um grande quadro de opiniões, preenchido a partir das opiniões dos usuários. A cada resposta de usuário eram extraídas as informações relevantes para responder se a ideia havia sido validada, refutada ou validada com necessidade de ajustes. A medida que a análise era realizada, novas ideias emergiam do grupo que pensava em como melhorar para atender os desafios apresentados pelos usuários. Cada novo insight era anotado em um post it e colado em um “estacionamento de ideias” para que pudessem ser utilizadas pela equipe de desenvolvimento na hora de definir o MVP.

O final foi feliz: O protótipo foi validado com necessidades de ajustes. Ou seja, a ideia fazia muito sentido e em poucos dias foi gerado um aprendizado que certamente teria custado muito mais sem esse processo. O dia foi finalizado com muita alegria e comemoração! Agora, é colocar a mão na massa e trazer o resultado para a realidade.

Aprendizados DO QUARTO DIA DE DESIGN SPRINT

  • É importante que fique claro para todos os integrantes da equipe que o Design Sprint é uma técnica para prototipar e testar ideias em um curto período de tempo, o que significa que as respostas nem sempre serão positivas, mas sempre serão importantes. Falhar rápido e barato é sempre melhor. 
  • O objetivo do processo é gerar aprendizados e não vender ideias ou convencer as pessoas. Ter essa clareza é fundamental para que se evite frustrações e desânimo por parte da equipe, caso o feedback não seja positivo.

Esse sprint está sendo compartilhado por uma razão especial: diferente de muitos outros, ele está sendo realizado em uma empresa muito tradicional, com quase 30 anos de mercado e que não tem a cultura da inovação enraizada. Isso nos leva a crer que essas descobertas, desafios e adaptações podem ser pertinentes para inúmeros outros contextos que também identificaram a necessidade de se adaptar nessa era de transformação digital.

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