Design Sprint na prática: segundo dia

Esse post é o segundo de uma sequência de posts que relata o dia a dia de um processo de design, aplicado dentro de uma empresa com o objetivo de validar uma ideia de projeto de inovação. No post anterior, falamos sobre as nossas escolhas, adaptações desafios e aprendizados no primeiro dia de um design sprint.

Dia 2: turno da manhã

O primeiro dia foi muito intenso. Foi um dia inteiro de atividades e, como era de se esperar, o segundo dia começou com os participantes um pouco mais cansados, mas não menos dispostos. Aliás, essa (na minha opinião) é uma das grandes maravilhas dos processos orientados pelo design. Por mais cansados que as pessoas estejam, elas incorporam as atividades de uma forma tão profunda que se entregam a ponto de nem ver o tempo passar.

Inicialmente, fizemos uma breve recapitulação das atividades do dia anterior, finalizando por reforçar as perguntas da sprint. Isso é muito importante! Não podemos perder o foco, pois o tempo é curto. O grupo iniciou as atividades do dia pelo compartilhamento de ideias que tiveram após a atividade dos crazy 8.

Após, seguimos com a revisão das jornadas criadas individualmente no dia anterior, votando em qual seria sua jornada ideal. Novamente, cada participante tinha direito a 3 votos e o decisor tinha direito a 5 votos. Contudo, na conclusão da votação evidenciou-se um dilema: uma das especialistas participantes estava com dificuldades em compreender o conceito e estrutura das jornadas x conceitos de solução e estava visivelmente frustrada uma vez que, na sua percepção, o protótipo que seria gerado a partir daquela decisão seria simples demais em termos de funcionalidades e recursos para validar uma ideia tão audaciosa e abrangente.

Dado o contexto e o perfil do grupo, achamos que a melhor escolha seria aproveitar essa problematização e explorar a discussão sobre MVP (produto mínimo viável) x proposta de valor. A discussão envolveu todo o grupo e outros pontos de vista que estavam “suprimidos” pelas atividades individuais vieram a tona. O processo de facilitação envolveu levar o grupo à compreensão de MVP para repensar suas escolhas anteriores, agora com mais clareza.

Sendo a ideia a ser prototipada uma plataforma digital, essa compreensão partiu de reflexões sobre questões como o que os motiva a baixar um determinado app, manter ele instalado ou efetivamente usar, ao invés de optar por outros meios para resolver o mesmo problema. Aproveitamos para rever alguns aspectos da pesquisa que embasaram essas criações no dia anterior e retomamos a visão das perguntas da sprint, geradas a partir do exercício “como nós podemos”.

Embora essa decisão tenha custado uma hora não prevista para o projeto, ela se mostrou altamente pertinente, pois concluímos a manhã do segundo dia com uma jornada única, integrada e altamente coerente na visão dos participantes.

Aprendizados da manhã – dia 1:

  1. Se o objetivo do design sprint é gerar um protótipo para validar uma ideia que vai influenciar decisões estratégicas de uma empresa, como é esse caso, a escolha de não afogar todo o tempo com atividades é a mais acertada, para termos flexibilidade de explorar situações não previstas. Sugerir para botar essa discussão em um “estacionamento de ideias”, dado o contexto do negócio e as características do grupo, certamente teria gerado frustração e influenciado no desempenho dali para diante.
  2. Já se o objetivo da prática é ensinar os participantes a aplicarem o método, daí teríamos seguido um padrão mais rigoroso de processo para proporcionar essa replicação.

Dia 2: turno da tarde

Com toda a discussão ocorrida no turno da manhã, a tarde foi muito mais fluída. Retornamos do almoço diretamente para a construção individual dos storyboards, ou seja, cada participante desenhou uma sequência de telas capaz de ilustrar sua solução ideal para a jornada que foi alinhada pelo período da manhã. Isso ocorreu tendo sempre em mente as perguntas da sprint. Ou seja, que experiência proporcionada para os usuários seria capaz de responder aquelas questões?

Na conclusão dos conceitos individuais, os participantes apresentaram brevemente seus conceitos, seguindo pela votação do grupo. Buscou-se aqui maior objetividade, explicando os passos sem entrar em detalhes não pertinentes para o momento. Na sequência a votação permitiu escolher o melhor storyboard, no que concerne ao fluxo de informações. Contudo, aqui nova adaptação foi necessária. Os storyboards gerados eram tão ricos em diversidade, que os participantes não conseguiram escolher um inteiro agregando apenas uma ou duas telas de outros. Eles aproveitaram apenas o fluxo do storyboard escolhido e construíram um totalmente novo, com uma sequência de 8 telas (poderiam gerar até 10 telas) que fossem capazes de responder conjuntamente todas as perguntas da sprint, gerando alto valor para os usuários.

Essa discussão perdurou a tarde inteira, o que extrapolou o previsto uma vez que a estratégia da validação deveria ter sido definida hoje, mas escorregou (por opção) para a manhã seguinte. Contudo, o resultado gerado superou as expectativas de todo o grupo e a ideia final foi construída de forma tão colaborativa que o engajamento no processo foi reforçado.

Aprendizados da tarde – Dia 1

O segundo dia é um dos dias mais cansativos do processo, pois envolve a divergência em uma etapa de criação, o qual estamos utilizando). Muitas vezes nos apaixonamos pelas nossas ideias e o processo de desapegar para reconhecer o mérito da ideia do outro pode não ser fácil. Por isso, nesse contexto, trabalhar a cocriação mais do que a criação individual com votação, se mostrou relevante e gerou um grande impacto no engajamento das pessoas.

Estrutura do processo Design Sprint 3.0 que está sendo utilizado nesse desafio.

Esse sprint está sendo compartilhado por uma razão especial: diferente de muitos outros, ele está sendo realizado em uma empresa muito tradicional, com quase 30 anos de mercado e que não tem a cultura da inovação enraizada. Isso nos leva a crer que essas descobertas, desafios e adaptações podem ser pertinentes para inúmeros outros contextos que também identificaram a necessidade de se adaptar nessa era de transformação digital.

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